DeviantArt http://justsitback.deviantart.com/?rssQuery=gallery%3Akinan666%2F30892227&s=10%2C6%2C254

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Lamento

Londres – Outono – Ano de 1889

Já é tarde neste momento, acabo eu de retornar junto a Ketschly de uma comemoração. Não sei que horas são, admito, mas vejo as nuvens a se tingir de um leve anil nos céus. Ela tenta me parar, a todo momento, pede para que eu apenas durma. Mas eu não consigo! Eu não consigo.

Talvez os sussurros que eu praguejo nestas noites sem luar, nesta penumbra sem qualquer sobriedade de meus pensamentos perturbados, estes mesmos que vagam por meu aposento... Talvez isto seja apenas meu sentimento, esta alada comiseração que me dói.

Preciso pensar em ti, apenas preciso. Nenhuma beleza é tão magnifica quanto a tua. Preciso escrever a teu ser, estas cartas que jamais irão chegar a tua pessoa.

Tu foi embora neste meu inverno tão solitário. As gotas d’agua congeladas cobrem a paisagem, tão alva quanto tua pele sempre cor da neve. E este seu abandono corta minh’alma de forma que lancinante é a dor em meu âmago.

Vai-te agora, enquanto essa tua silhueta apenas some num horizonte que ficará para sempre em minhas lembranças. Minha doce dama agora, repleta de fúria por algo que é desconhecido a minhas palavras. Pois não compreendo tais motivos dessa tão inusitada ida repentina, sem jamais volta que tardo eu a aguardar pela mesma.

Fizeste isso para que eu me recordasse destas mágoas tão profundas quanto a noite, que tenho de ti em meu peito. Este mesmo ser que tanto lhe ama, que jaz tão cálido pela falta de sua antiga presença, que se aflige com tua ausência, Ah! Tão longa ela é para mim, um pobre amante destes bens que tu me trouxe na vida.

Confesso a ti, que tentei lhe deixar. Sim! Eu tentei! Pois estas dores tão amargas que tu me deste, enlouqueciam-me. E afoguei-me na bebida, no fumo e na orgia que nada me trouxeram além de tua falta. A saudade da seda que era tua pele, de teu perfume tão peculiar, que enlouquecia-me os sentidos, do seu olhos, selvagens eles eram sempre a me escravizar a sua presença.

E as lembranças tão loucas, de poder tocar tua pele a minha, de sentir seu sangue fervendo, dos seios róseos, sempre tímidos. De seus leves gestos com as bochechas rubras da sua falta de jeito. Como era doce olhar e ver que amava-me nestes momentos, assim como eu a ti. De forma deliciosa eu me deitava junto a você, não para fazer-te mulher, mas sim para fazer-te minha.

E questiono-me nestes séculos todos que se passaram, apenas isso doce Anne:

Por que se foi? E não levou contigo minhas lembranças?

Henrryter Ruspel Hells.

Vampire Empire

Loading...