Vendo a carruagem partir, ela preocupou-se.
“- Como vai para casa? – Ela disse.”
“- Caminharei até a mesma. – Respondi eu, com um sorriso sincero em meus lábios.”
Então deste momento me lembro bem, tu com um olhar cheio de duvida abriu mais a porta para que eu entrasse. Não houve quaisquer sussurros naquele momento, sequer o vento noturno ousou se pronunciar.
Adentrei em seus domínios, convidaste-me então para uma conversa e me ofereceu sangue alcoólico da safra de 1600.
Meus pensamentos tornaram-se confusos a partir daí, mas eu posso me lembrar bem do que houve após nosso breve dialogo.
Sim, toquei tua pele e era como se as lembranças de minha adolescência aflorassem em realidades vividas no meu presente tão indecente. Mas tua casca-tênue era como a mais delicada pétala de rosa que já toquei, o mais macio tecido, diante de mim, jovem e nu, em meus braços agora aquecidos e cheios de amor. Teus mamilos eram doces, como as frutas pequeninas, tímidas e avermelhadas, não resisti em morder teu seio para provar de teu sangue. Ah! Sim! O liquido tão puro da vida, teu somente meu! Escorrendo por meus lábios e você em meus braços gemendo de prazer com tanto vigor.
Queria fazer-te eternamente minha naquela noite, fazer-te como havia te feito à muito. Minhas asas queimavam em minhas costas e meu coração morto palpitava novamente como de um ser vivente. Sentia-me alçar vôo, uma pássaro a sair da gaiola, liberto da realidade fria e dura que o cercava.
E eu pude jurar que enquanto dormiu naquele abraço, tu sussurrou meu verdadeiro nome, mesmo que eu não o tenha dito...”Henrry”...”Henrryter” você tinha dito.
Na noite seguinte, acordei só. Não havia um ser vivente na casa. Os armários estavam vazios e neles só restava o cheiro da roseira que os tocou com seus veludos.
Ao menos enquanto eu viver vou poder saber que tu foste minha novamente, Anne.
P.S.: Irei de agora em diante, voltar a ser quem fui contigo.
Henrryter Ruspel Hells.
