
Deveria eu, ter vergonha de continuar a escrever. No entanto, escrevo. Talvez porque estas palavras jamais serão lidas pelo mundo que tanto me emudeceu e levou tudo de mim.
Eu só espero, que ele não leve você.
A nota que vem,
Como o canto de um pássaro.
Na manhã que a rosa desabrocha
Silvestre flor enegrecida por teu rubro.
A melodia vem,
Como o sussurro do vento,
Que bate e volta em todo meu relento,
Todo meu âmago ela têm.
Teu canto na noite,
Canta junto ao ceifar da foice,
Violino melódico da morte,
Na penumbra para tu não há sorte.
Tua maneira que já foi nobre,
Agora apodrece pobre.
Estilhaçado está tu,
Tua madeira agora crua e nu.
Agora sua melodia morre,
Calado na noite,
O falido nobre.
Que sofreste no açoite.
Assim como tu sou eu,
Caminho cego no breu.
Sem voz como vós,
Sois eu falido,
Silenciado pelo mundo,
Que cala-te e a mim,
Permanecemos neste frio.
Estamos nós imundos,
Mas não cala meu interior,
Não silencia-te meu Senhor.
Estamos nós,
Quebrados,
Silenciados,
E sem mãos quentes, para nos aliciar.
Gaby Firmo de Freitas

