O Tiro e a Rosa
Fogo e fumaça
Cinzas se desfazem no ar
O odor da explosão
Um sorriso na face
E o baque no chão
Desejo incontrolável
Do perfume que atravessa minhas entranhas
Dor não sentida
Batidas do coração que se vão
E mil lágrimas de sangue derramadas no chão
Esboço do inverno no verão da vida
Vinho d’alma banhando o rosto
Beleza gélida e morta da natureza humana acabada
E o objeto finalmente se aloja no calor de meu cérebro
A prata gélida que suga todo o calor de meu corpo
Sua beleza é mortal
Leva ela consigo toda minha vivacidade
Mas leva também minha dor.
Doce âmago de uma rosa que não desabrocha.
Seu perfume lá permaneceu quando foi arrancada de sua terra,
Mas ela nunca desabrochou, como uma dama suave da noite.
O sangue ganha o chão,
O corpo caído em vão.
A queda no fim daquele velho mundo
Muito jovem e cheio de erros.
O sol se põe envergonhado de mirar o desastre
E a lua nasce chorando suas lágrimas prateadas.
A bala está enterrada em sua mente
E o sangue se esvaiu para sempre deste corpo.
Onde só o sorriso guarda as boas memórias
Uma doce rosa vermelha desabrochou e morreu.
