quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Amor Alado.

Eu recordo-me de minhas próprias palavras como rapaz, quando penso nelas, vejo que somente nós podemos amar. Nós que somos feitos dessa maldição. Eu provei o sabor amargo do ódio que cada homem carrega dentro de si. Sim, eu senti na carne, cada pancada, cada dor. O ser humano é um animal curioso e cruel. Os dias passam-se findáveis, e não há mais cores sequer neles, estas já se perderam a muito em minha jornada.
Tudo que olho, por onde eu passe, e sempre passarei, eu só irei sentir o cheiro da carne sendo rasgada, do sangue sendo respingado. Só ouvirei os gritos de agonia, os choros de mães querendo proteger algo.
Mas também terei sempre junto a mim, o vento a massagear meus cabelos, e o cheiro do mato sendo substituído pela nova era londrina, me confunde os sentidos.
Sim, ainda há dor, e há também fome.
E elas também são sentimentos que eu compartilho. Porém talvez, a fome seja o maior deles. Fome de querer viver, fome de sentir o toque quente daquela pessoa, fome de morder-lhe e fazê-la sangrar em minha boca. Esse é um sentimento insaciável e, não precisa de outros para viver dentro de você.
A dor é grande ao ver o mundo rastejar para o mesmo buraco. Durante séculos eu observo, as mesmas cenas, as mesmas dores. E a vida humana já não se torna mais algo incrível e, até mesmo a minha, tem sido a mesma, desde que você sumiu.
Agora só me restam lágrimas vermelhas, daquele campo florido, onde nossos lábios se tocaram pela primeira vez. Se você estivesse aqui, certamente se recordaria.
Eu vou guardar para sempre, Anne. Diferente dos homens, eu sou alado. Mesmo que meus olhos sejam mais escarlates que o sangue, eu sei, que não existe nada mais puro e belo, do que o liquido que corre sobre sua pele alva. O sabor de seu sangue é inigualável... Ah, sim ele é.
Já não posso me livrar dessa maldição, minha amada que morreu. Porém em meu coração, cada memória sua, ainda vive.
Vive como você e eu jamais vivemos, em nossas maldições de estarmos mortos e unidos para sempre.
Homens não amam.
Nós sim.
Henrryter Ruspel Hells – Diário de Christopher Ruspel - Gaby Firmo de Freitas
terça-feira, 21 de setembro de 2010
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Lilith - O Segundo.

"Insana, sem mais um motivo para ter amor em meu peito. Esperando que a admiração pelos belos olhos dourados retornasse. Tendo as presas e os olhos vorazes melados pelo vinho da vida. Desolada entre paisagens diversas, esperando que algo desse-me motivo para não adormecer meu âmago infinitamente."
Pois é.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Peço para você que esqueceu, que se recorde.
Sim, você sabem quem eu sou.
Eu vivo dentro do coração dos ignorantes e também daqueles que esta negam,
Eu acompanho o mundo com olhos famintos,
Acompanho-lhe também.
Eu sou pior que o desespero.
A morte me teme.
A vida olha para mim com rispidez e tenta compreender minha existência.
A maioria dos homens me reconhecem desde os primeiros momentos,
Alguns me adoram,
Outros odeiam-me.
Mas lembrem-se que, sem mim, não haveriam sequer cores.
Pois sou eu quem lhes trás os primeiros sorrisos
Sou eu quem lhe engano com aqueles pequenos momentos
Eu levo a todos o ultimo suspiro doido.
As lágrimas mais quentes e gélidas derramadas, são todas minhas.
Todos os risos do mundo, pertencem a mim.
Mas todas as dores, estas apenas minha essência.
Meu sorriso resplandece ao ver que todos me adoram por serem tolos.
Com esse rosto belo eu engano todos vocês, não?
“Em meus braços, vocês todos, se sentem confortáveis até que derramem a primeira lágrima.”
Sou sádico e incompreendido.
Sou magnetismo,
Sou louco,
A paixão e o carinho são os nomes de minhas mãos
Mas todas as dores do mundo são minhas.
Eu estou aqui apenas para destruí-los,
Essa é minha razão para estar aqui.
Eu careço de beleza.
Eu careço de carinho.
Meu nome é Amor,
E eu não sou belo,
E muito menos, bom.
Gaby Firmo de Freitas
